DOUTRINA (11): PECADO ORIGINAL (2)


EVANGELHO – Mc 7, 14-23

Naquele tempo: Jesus chamou a multidão para perto de si e disse: “Escutai todos e compreendei: o que torna impuro o homem não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu interior. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”.
Quando Jesus entrou em casa, longe da multidão, os discípulos lhe perguntaram sobre essa parábola. Jesus lhes disse: “Será que nem vós compreendeis? Não entendeis que nada do que vem de fora e entra numa pessoa, pode torná-la impura,
porque não entra em seu coração, mas em seu estômago e vai para a fossa?” Assim Jesus declarava que todos os alimentos eram puros. Ele disse: “O que sai do homem, isso é que o torna impuro. Pois é de dentro do coração humano que saem as más intenções, imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo.
Todas estas coisas más saem de dentro, e são elas que tornam impuro o homem”.
– Palavra da Salvação
– Glória a vós, Senhor

Olhar para Jesus:
corrigindo o erro dos fariseus que reduziam a religiosidade a uma série de prescrições exteriores, Jesus nos diz hoje que o que torna impuro o homem não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu interior. O que Deus deseja de nós é que tenhamos um coração puro, reto, isento de toda maldade. Isento, como Jesus exemplifica, de más intenções, de imoralidades, roubos, assassínios, adultérios, ambições desmedidas, maldades, fraudes, devassidão, inveja, calúnia, orgulho, falta de juízo.

Isto não significa que a religiosidade se reduz apenas ao coração, pois faz parte dela as orações, as práticas de caridade, a frequência aos sacramentos, o cumprimento dos mandamentos etc. Porém de nada adianta as obras exteriores se não lutamos para arrancar toda maldade do coração.

Dando continuidade à nossa série sobre a Doutrina Católica, na semana passada começamos a falar sobre o pecado original. Hoje vamos aprofundar um pouco no que ocorreu quando Adão e Eva cometeram o pecado original, comeram do fruto da árvore do bem e do mal.

O que significa comer do fruto da árvore do bem e do mal? Qual é a malícia do pecado original?
Nós não sabemos como foi este pecado, pois o livro do Gênesis só nos fala de um modo figurativo: comeram do fruto da árvore do bem e do mal. O que significa isto? Significa que, de alguma forma, quiseram determinar o que é o bem e o mal, quando quem determina isto, é Deus.

Dito assim, parece que Deus é um tirano, autoritário e que se não fazemos o que Ele quer, Ele castiga. Não é nada disso. Vamos por partes.

Primeiro Deus decidiu, por amor, nos criar e criar todo o universo. Deus é um ser perfeitíssimo, e isto podemos provar racionalmente, e não tem necessidade de mais nada para se tornar mais feliz. Porém, por livre vontade decidiu nos criar. Foi como se pensasse assim: “se Eu sou tão feliz, porque não crio seres que possam participar da minha felicidade”. Com este pensamento, decidiu criar os homens e os Anjos, dotando-lhes de capacidade para o conhecer e amar. Deus que é o Amor infinito e a Felicidade infinita nos cria para participarmos deste Amor e desta Felicidade infinitas. Reparem que todo ser inteligente, quando faz algo, faz por um fim. Deus ao nos criar, criou-nos para um fim. E qual é este fim: viver um amor e uma felicidade infinitas participando da sua Vida.

Agora: não é verdade que uma vez que se estabelece um fim bom, tudo aquilo que nos leva para aquele fim é algo bom e tudo aquilo que nos afasta deste fim é algo ruim. Pois bem: é aí que surge o bem e o mal. O bem é aquilo que nos conduz ao fim e o mal é aquilo que nos afasta do fim. Podemos aplicar isto a todas as finalidades da nossa vida. Por exemplo, formar-nos numa profissão estudando numa faculdade. Pois bem, tudo aquilo que nos levará a alcançar este fim será algo bom e tudo aquilo que nos desviará deste fim será algo ruim.

Deus deu a nós o melhor fim que poderia dar: o amor e a felicidade infinitas participando da sua vida. Se este é o fim, Deus sabe muito bem qual é o caminho para chegar até ele. E o caminho são os 10 mandamentos e os ensinamentos que Jesus, que é o próprio Deus, nos transmitiu aqui na terra.

O que significa o homem comer do fruto da árvore do bem e do mal? Significa apropriar-se do bem e do mal. E apropriar-se do bem e do mal significa o próprio homem dizer o que é o bem e o que é o mal. Significa não querer saber o que Deus nos fala a respeito disso, sendo que o que Deus mais quer é que sejamos plenamente felizes, e que Ele é a Sabedoria Infinita, Ele é quem sabe o que faz bem a nós e aos outros e o que faz mal a nós e aos outros.

Um exemplo de apropriação do homem do bem e do mal: o aborto. Deus nos diz no quinto mandamento que a vida humana é sagrada e inviolável. E que a vida, na sua essência, é Ele quem a dá. Nenhum ser pode dar a vida a não ser Deus. Por exemplo, uma vez que a alma já não está no corpo, ninguém pode fazê-lo voltar à vida. Só Deus. E o que muitas pessoas e grandes instituições mundiais tem dito: que o aborto é um direito.

Neste sentido, um tempo atrás li uma notícia em que vários países da Europa se gabam de terem as taxas mais elevadas de aborto em crianças com síndrome de down. Imaginem Deus, que é Amor Puro, que é o dador da Vida, que é o Pai dos pais de todas as criaturas, ouvindo isto.

O que há na raiz desta atitude humana? Uma grande soberba. Achar que nós que somos meras criaturas, sabemos o que é certo e o errado, o que nos leva à felicidade e o que não nos leva. A soberba é terrível: coloca-nos em pé de igualdade com Deus!
Por isso nós dizemos que o pecado original foi um pecado de soberba e de desobediência a Deus.

E qual é o problema do homem estabelecer os próprios mandamentos? Além de ser uma atitude de soberba, que já é um grande pecado em si, é começar a percorrer a estrada do mal, onde um mal vai se sucedendo a outro, ocasionando verdadeiras destruições.

Começa-se a percorrer a estrada do mal, pois uma vez que há um fim claro, só há duas estradas: a do bem ou a do mal. Não há meio termo.

Vejamos, por exemplo, qual é o mal de abortar crianças. É este: em vista de não complicar a minha vida, eu elimino uma vida humana que tem um valor sagrado, pois é dada por Deus.

Indo mais a fundo: uma vez que um ser humano tira a vida de um ser inocente, para não complicar a vida, por egoísmo, o que mais ele pode fazer? É certo que há moças que fazem isto por desespero. Porém são culpadas, a não ser que tenham sido violentadas, de terem engravidado. Mesmo que uma pessoa engravide por ter sido violentada, isso não justifica tirar a vida de um inocente e o Estado, os familiares, lhe devem dar toda a assistência para cuidar desta criança.

Se uma pessoa não se arrepende de ter cometido um aborto, seu egoísmo vai causar inúmeros outros estragos, já que foi suficiente para eliminar uma vida humana. Deus é Pai e perdoa uma pessoa que tenha feito aborto mas, não é verdade que é um grande mal e não há como não ficar marcado por este ato, violando a essência da vida humana, o respeito à vida humana que é sagrada? O contraste entre o egoísmo e a supressão de uma vida humana inocente é muito grande. Quando Deus estabelece a inviolabilidade da vida humana, está nos ajudando a percorrer a estrada do bem, a estrada que leva ao amor e à felicidade infinitas.

Lição: aproveitemos o dia de hoje para renovar o propósito de nunca ofender a Deus que é todo Amor e doação para nós.

DOUTRINA (11): PECADO ORIGINAL (2)

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