VIRTUDES HUMANAS (5): PRUDÊNCIA

EVANGELHO – Lc 17, 26-37

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: Como aconteceu nos dias de Noé, assim também acontecerá nos dias do Filho do Homem. Eles comiam, bebiam, casavam-se e se davam em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca. Então chegou o dilúvio e fez morrer todos eles. Acontecerá como nos dias de Ló: comiam e bebiam, compravam e vendiam, plantavam e construíam. Mas no dia em que Ló saiu de Sodoma, Deus fez chover fogo e enxofre do céu e fez morrer todos.
O mesmo acontecerá no dia em que o Filho do Homem for revelado.
Nesse dia, quem estiver no terraço, não desça para apanhar os bens que estão em sua casa. E quem estiver nos campos não volte para trás. Lembrai-vos da mulher de Ló.
Quem procura ganhar a sua vida, vai perdê-la; e quem a perde, vai conservá-la.
Eu vos digo: nessa noite, dois estarão numa cama; um será tomado e o outro será deixado. Duas mulheres estarão moendo juntas; uma será tomada e a outra será deixada. Dois homens estarão no campo; um será levado e o outro será deixado”.
Os discípulos perguntaram: “Senhor, onde acontecerá isso?” Jesus respondeu: “Onde estiver o cadáver, aí se reunirão os abutres”.
– Palavra da Salvação
– Glória a vós, Senhor

Olhar para Jesus:
como vamos nos aproximando dos últimos dias do ano litúrgico da Igreja, que termina no final de novembro, na trigésima quarta semana do tempo comum, o Evangelho que a Igreja sugere falam dos últimos tempos, da vinda gloriosa de Jesus.

Jesus hoje nos fala que nos dias do Filho do Homem, isto é, nos dias que antecedem a vinda do Filho do Homem na sua glória, virá um castigo como do dilúvio e muitas pessoas também não estarão preparadas. Faz lembrar o que disse Nossa Senhora numa ocasião ao Padre Gobbi:

Rubbio (Itália), 30 de julho de 1986

Filhos prediletos (…) Estes são os anos dolorosos da prova. Esta já vos foi pre­anunciada por Mim de muitos modos e com muitos sinais.

Mas quem é que crê em Mim? Quem Me ouve? Quem se empenha verdadeiramente em mudar de vida?

Eu estou entre duas espadas que transpassam o meu Cora­ção de Mãe: dum lado, vejo o grande perigo que correis, por causa do castigo que já está às portas; do outro, vejo a vossa incapacidade de crer e de acolher os convites à conversão que Eu vos dirijo para que o possais evitar.

(…) Nos tempos de Noé, imediatamente antes do dilúvio, en­travam na arca aqueles que o Senhor destinava a sobreviver ao seu terrível castigo. Nos vossos tempos, Eu convido a entrar na Arca da nova Aliança, que construí no meu Coração Imaculado, todos os meus filhos, para que sejam ajudados por Mim a levar o peso sangrento da grande prova, que precede a vinda do dia do Senhor.

Não olheis para outro lado. Hoje acontece como no tempo do dilúvio e ninguém pensa naquilo que vos espera.

Todos andam muito ocupados a pensar só em si próprios, nos próprios interesses terrenos, no prazer, a satisfazer de todos os modos as próprias paixões desordenadas (…).

Ouvindo as palavras de Jesus no Evangelho de hoje e as palavras de Nossa Senhora, não deixemos para depois a nossa conversão. Agora é a hora de converter-nos e de cortar o pecado para estarmos preparados para quando Deus vier ou nos chamar à sua presença.

Continuando a nossa série sobre as virtudes humanas, falamos na última vez das virtudes cardeais, porém não falamos com calma de cada uma. É o que faremos agora.

Comecemos com a virtude da prudência. A virtude da prudência pode ser definida como aquela que nos permite escolher o melhor meio para chegar a determinado fim. Poderíamos dizer, como já mencionamos, que a prudência é a cabeça das virtudes. Ela nos leva a ser ponderados, previdentes, sensatos etc.

Vamos imaginar um exemplo. Vamos pensar numa pessoa que está querendo começar um negócio. Esse é o seu fim, o seu objetivo. A pessoa prudente sabe escolher o melhor meio, o melhor caminho para alcançar esse fim. Quais são os perigos para alguém que vai montar um negócio? Não pensar muito em todas as variáveis, deixar-se dominar pelo impulso, pela empolgação, pensar demais e demorar para tomar decisões, perder o tempo certo para começar o negócio etc.

Um grande defeito de muitas pessoas é ser pouco ponderadas. E isso em todos os campos: na hora de fazer uma compra, na hora de corrigir o cônjuge, na preparação de um evento etc. Quantas pessoas compram na impulsividade e só depois pensam que aquela compra não era conveniente. Quantas pessoas corrigem os outros sem pensar se aquele era o melhor momento para fazer isso. Quantas pessoas preparam um evento e só na última hora percebem que está faltando um monte de coisas. Tudo isso é imprudência. É não pensar antes, não ser ponderado. Será que eu sou uma pessoa que se deixa dominar pelo impulso ou pela precipitação? Será que eu sei preparar as coisas com antecedência, sem afobações de última hora? Quantos erros se cometem na vida por precipitação, por não pensar mais, por não pensar com antecedência!

Outro grande defeito dos imprudentes é demorar para tomar decisões. O tempo vai passando e a pessoa não se decide, não sai do lugar. Não decide a casar-se, não decide a sair do emprego que está lhe fazendo mal, não decide a terminar um namoro que não terá futuro etc. A insegurança domina essas pessoas. Elas ficam ponderando, ponderando e não se definem. Como se vê, a pessoa prudente está no justo meio entre ponderar muito e ponderar pouco. A pessoa prudente pondera o adequado. E age. Será que sou uma pessoa que demora a tomar decisões? Fico esperando uma iluminação especial que nunca vem? Os gregos diziam que tudo tem o kayrós, isto é, o momento adequado. Não podemos perder, portanto, o kayrós.

Também como já dissemos, a virtude da prudência é tão importante que nenhuma virtude é virtude se não está regida por ela. Imaginem uma pessoa muito forte, mas que corrige um filho de um modo extremamente inadequado. Essa fortaleza não é uma autêntica fortaleza. É uma fortaleza imprudente, sem sensatez, sem equilíbrio. Imaginem, por exemplo, uma pessoa que é muito caridosa, que só pensa nos outros, a ponto de deixar de cuidar de si mesma, e assim prejudica o cumprimento das suas próprias obrigações. Essa caridade não é caridade. É uma caridade imprudente, sem cabeça, sem ponderação.

Lição: procuremos nos próximos dias pensar se estamos sendo prudentes e o que está nos impedindo de sê-lo mais.

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