ALEGRIA: NO TRABALHO (I)

EVANGELHO – Jo 14, 21-26

Naquele tempo, disse Jesus a seus discípulos: Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama, será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele. Judas – não o Iscariotes – disse-lhe: “Senhor, como se explica que te manifestarás a nós e não ao mundo?” Jesus respondeu-lhe: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e o meu Pai o amará, e nós viremos e faremos nele a nossa morada. Quem não me ama, não guarda a minha palavra. E a palavra que escutais não é minha, mas do Pai que me enviou. Isso é o que vos disse enquanto estava convosco. Mas o Defensor, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos tenho dito.
– Palavra da Salvação
– Glória a vós, Senhor

Olhar para Jesus:
Jesus diz umas palavras muito bonitas no Evangelho de hoje: “Quem acolheu os meus mandamentos e os observa, esse me ama. Ora, quem me ama, será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele”.

Se cumprirmos os seus mandamentos seremos amados por Ele e pelo Pai. Cabe alegria maior, dirá um santo, do que ser amado pelo próprio Deus? Se um amor aqui na terra já nos dá tantas alegrias, o que não será ser objeto do amor de Deus! Continuemos nossa reflexão sobre a alegria. Dom Rafael falará hoje da alegria num momento muito importante do nosso dia: a alegria no trabalho. Vejamos:

* * *

Há pessoas que sentem nas suas costas o trabalho como um fardo… “E pensar que toda a minha vida vou ter que trabalhar assim”…
Lembro-me de um rapaz bancário, muito simples, que se orientava espiritualmente comigo. Não suportava o seu trabalho, sentia-se como se estivesse acorrentado. — “Todo o santo dia preenchendo os mesmos formulários… Não tenho possibilidade de desenvolver a minha inteligência, a minha criatividade… Malditos formulários!”, murmurava. Falava-me frequentemente desse problema, sempre lamuriento e triste. Um dia, conversava com ele sobre o valor que tinham as coisas diante de Deus e referi-me àquela pobre viúva do Evangelho que lançou no cofre do Templo duas pequenas moedas sem nenhum valor, e que no entanto — apesar de outros depositarem grandes somas de dinheiro — foi a única que fez brilhar de alegria os olhos de Jesus.
De repente, o rapaz interrompeu-me: — “Tive uma ideia…!” — “Que ideia?” — “Quando voltar a falar com o senhor, conto-lhe”.
Quinze dias depois, voltou contentíssimo, com um pacote embrulhado debaixo do braço. — “A ideia está aqui, no pacote…” E, rapidamente, desembrulhou-o e mostrou-me um cofre de papelão pintado de purpurina. — “Aqui está o segredo da minha alegria. Lembra-se de que lhe falava da falta de motivação que tinha ao preencher todo o santo dia aqueles formulários? Pois bem, cada vez que preencho um deles, ofereço-o a Deus e ponho uma moeda de papelão dourado dentro deste mealheiro, e veja lá…” Abriu o cofre por baixo e dele caiu uma porção de moedas. — “Este é o meu tesouro. Penso que, como a pobre velhinha, não tenho outra coisa para oferecer, e que assim posso alegrar Nosso Senhor. Cada formulário, uma moeda, um sorriso de Jesus… Estou feliz!”
A ingenuidade encantadora desse rapaz descobrira o grande segredo da felicidade: vislumbrar um sentido divino em cada ação humana, transformar as atividades mais monótonas num tesouro de amor. Como o Rei Midas que, segundo a lenda, transformava em ouro tudo o que tocava.
Se uma dona de casa — ou qualquer profissional — compreendesse que esses trabalhos domésticos ou outros pouco interessantes, sem incentivo e relevo, tão rotineiros, foram os trabalhos que santificaram Maria, a criatura mais perfeita que jamais existiu depois de Jesus, sentiria uma maior motivação na sua vida; Maria trabalhava o dia inteiro e amava o dia inteiro, porque a finalidade do seu trabalho era Jesus: para Jesus era a comida que fazia, para Jesus era a roupa que lavava, para Jesus era até o ar que respirava… Alegrar-nos-emos quando compreendermos deveras que qualquer trabalho, qualquer tarefa pequena, insignificante, trivial, pode tornar-se grande pelo amor.

Lição: o sentido do trabalho descende à realidade humana e material: é ocasião para realizar coisas grandes como amar a Deus, amar o próximo, santificar-nos. Vendo o trabalho com essa dimensão sobrenatural, nossa alma se encherá de uma profunda alegria.

ALEGRIA: NO TRABALHO (I)

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