SÃO JOSEMARIA: SUA MENSAGEM TRANSFORMADORA (6) – TRABALHO (1)

EVANGELHO – Mc 10, 32-45

Naquele tempo: Os discípulos estavam a caminho subindo para Jerusalém. Jesus ia na frente. Os discípulos estavam espantados, e aqueles que iam atrás estavam com medo. Jesus chamou de novo os Doze à parte e começou a dizer-lhes o que estava para acontecer com ele: “Eis que estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do Homem vai ser entregue aos sumos sacerdotes e aos doutores da Lei. Eles o condenarão à morte e o entregarão aos pagãos. Vão zombar dele, cuspir nele, vão torturá-lo e matá-lo. E depois de três dias ele ressuscitará”. Tiago e João, filhos de Zebedeu, foram a Jesus e lhe disseram: “Mestre, queremos que faças por nós o que vamos pedir”.
Ele perguntou: “O que quereis que eu vos faça?” Eles responderam: “Deixa-nos sentar um à tua direita e outro à tua esquerda, quando estiveres na tua glória!”
“Vós não sabeis o que pedis. Por acaso podeis beber o cálice que eu vou beber? Podeis ser batizados com o batismo com que vou ser batizado?” Eles responderam: “Podemos”. E ele lhes disse: “Vós bebereis o cálice que eu devo beber, e sereis batizados com o batismo com que eu devo ser batizado. Mas não depende de mim conceder o lugar à minha direita ou à minha esquerda. É para aqueles a quem foi reservado”.
Quando os outros dez discípulos ouviram isso, indignaram-se com Tiago e João.
Jesus os chamou e disse: “Vós sabeis que os chefes das nações as oprimem e os grandes as tiranizam. Mas, entre vós, não deve ser assim: quem quiser ser grande, seja vosso servo; e quem quiser ser o primeiro, seja o escravo de todos.
Porque o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate para muitos”.
– Palavra da Salvação
– Glória a vós, Senhor

Olhar para Jesus:
São Marcos começa o Evangelho de hoje dizendo que Jesus estava se dirigindo a Jerusalém, indo na frente. E depois diz: “Os discípulos estavam espantados, e aqueles que iam atrás estavam com medo. Jesus chamou de novo os Doze à parte e começou a dizer-lhes o que estava para acontecer com Ele: “Eis que estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do Homem vai ser entregue aos sumos sacerdotes e aos doutores da Lei. Eles o condenarão à morte e o entregarão aos pagãos. Vão zombar dele, cuspir nele, vão torturá-lo e matá-lo”.

São Marcos começa a narrar a ida derradeira de Jesus a Jerusalém onde será morto. E, dizendo que Jesus ia na frente, mostra-nos como Jesus era corajoso. Não tinha medo do sofrimento. Sabia tudo que ia sofrer e, no entanto, caminha com passos decididos à cidade santa. Será que eu também sou corajoso? Será que o medo de sofrer me paralisa? Aproveitemos o dia de hoje para pedir a Jesus que nos dê a sua coragem para enfrentarmos os desafios da nossa vida.

Dando continuidade à nossa série sobre São Josemaria e a sua mensagem, vimos ontem que uma vez que nossa vocação é estar no mundo, o eixo da nossa santificação não será passar o dia rezando, meditando, fazendo penitências num convento, mas as nossas tarefas e obrigações de cada dia.

Esta verdade pressupõe uma outra que São Josemaria entendeu naquela luz do dia 2 de outubro de 1928: o trabalho é algo bom, é algo querido por Deus.

Ao longo dos séculos não faltou quem via o trabalho como um castigo do pecado, como uma realidade para os escravos, como um mal necessário. Hoje podemos dizer que com o desenvolvimento das profissões, as pessoas foram ganhando gosto pelo trabalho, mas paira no coração das pessoas que o ideal seria ganhar na Mega Sena e não ter mais que trabalhar e assim passar a vida viajando e conhecendo lugares e restaurantes maravilhosos.

Nesta luz do dia 2 de outubro, São Josemaria viu o trabalho com uma dimensão muito bonita, com uma dimensão sobrenatural. Viu que Deus criou o homem para trabalhar, assim como as aves para voar e os peixes para nadar. Viu que o homem não foi feito para descansar, para viajar. Sim, estas realidades fazem parte da nossa vida, mas não é a mais importante. A mais importante é o trabalho. E o descanso é para recuperar as energias e voltar a trabalhar com amor, com entusiasmo e vibração. Deus trabalhou seis dias ao realizar a criação e descansou um.

São Josemaria viu que trabalhar é uma realidade muito rica com várias dimensões, além de ser um sustento para pessoas e famílias.

Viu, em primeiro lugar, que, como dissemos, é uma realidade santificadora. Através do trabalho feito por amor a Deus, bem-feito, bem-acabado, feito com perfeição, vai nos transformando cada dia em Jesus Cristo.

Viu, sem segundo lugar que trabalhar, vejam que bonito, é cooperar com Deus na obra da criação. Deus nos deu determinados talentos e Ele quer que o ajudemos a continuar transformando este mundo para que ele se torne cada vez mais perfeito. E é o que tem acontecido com o desenvolvimento das profissões e das atividades humanas.

Viu, em terceiro lugar, que o trabalho é uma forma de servir à sociedade, uma forma de viver a caridade. Viu que todo trabalho digno, honesto, está oferecendo algum bem importante à sociedade. Viu que todos nós temos uma vocação profissional, isto é, temos um chamado de Deus para, através dos nossos talentos, contribuir para o bem das pessoas e da sociedade. E os empresários que geram empregos estão fazendo um grande bem social. E o próprio funcionário que ao trabalhar bem, contribuiu para o crescimento da empresa, possibilitando que mais pessoas tenham emprego.

Viu, em quarto lugar, que todo trabalho tem também uma dimensão sobrenatural: oferecendo-o a Deus e fazendo-o com perfeição estamos ajudando Jesus Cristo a salvar as almas. Lembrava, então, que Jesus esteve junto com São José na carpintaria até os 30 anos e que todas as suas ações eram oferecidas ao Pai para salvar as almas. Viu que a ação mais bela que podemos fazer no mundo é ajudar Jesus a salvar as almas e uma forma de ajudá-lo é oferecer o trabalho por esta finalidade.

Dentro desta dimensão sobrenatural, viu também que todo trabalho pode ser oferecido a Deus por alguma intenção concreta. Isto é possível, como também a intenção de salvar as almas, pois uma vez que estamos em estado de graça, toda ação boa que fazemos, gera méritos diante de Deus. E podemos aplicar estes méritos para qualquer intenção. Por exemplo: vou oferecer esta minha manhã de trabalho para os meus familiares que estão afastados de Deus; vou oferecer esta tarde de trabalho pelas vítimas das últimas enchentes; vou oferecer esta manhã de trabalho pela cura do tumor da minha tia etc. E todas estas intenções que pedirmos, Deus vai direcioná-las para estes fins. Assim o trabalho passa a ter uma dimensão muito mais elevada do que a mera realidade material. Com esta dimensão, posso encontrar sentido em trabalhos que antes eram pesados e chatos. Lembro-me de um testemunho de um funcionário de fábrica na Alemanha, num documentário do Opus Dei, que passava o dia trabalhando num torno e quando chegava à casa, profundamente contrariado por fazer um trabalho tão rotineiro, descontava nos familiares. No entanto, assim que ouviu a mensagem do Opus Dei, passou a ver o seu trabalho de outra forma e ao começar o trabalho, passou a pegar um pouco de graxa e fazer uma cruz numa parte do torno para ele lembrar de Cristo e que aquele trabalho pode ser oferecido a Deus, pela salvação das almas, pelos seus familiares. E, a partir daquele dia, seu trabalho já não lhe custava mais. Passou a ver um grande sentido nele.

Por fim, pelo trabalho ser algo querido por Deus, Deus está junto de nós enquanto trabalhamos. Lembrava aquela frase de Santa Teresa de Jesus de que Deus está nas panelas. Deus não está alheio ao nosso trabalho. Pelo contrário: no fundo, Ele é o nosso chefe, Ele nos deu os talentos que temos e nos chama para fazer um grande bem através dele: um grande bem para nós e um grande bem para os outros. Então é muito importante trabalhar junto com Deus e com a consciência de ser um instrumento nas suas mãos.

Lição: como é transformadora esta mensagem, não é verdade? Procuremos vivê-la a partir de agora e agradecer São Josemaria por ter sido um instrumento fiel e dócil nas mãos de Deus para que esta mensagem chegasse hoje até nós.

SÃO JOSEMARIA: SUA MENSAGEM TRANSFORMADORA (6) – TRABALHO (1)

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