RETIRO ESPIRITUAL: SUA IMPORTÂNCIA VITAL


EVANGELHO – Mc 8, 22-26

Naquele tempo, Jesus e seus discípulos chegaram a Betsaida. Algumas pessoas trouxeram-lhe um cego e pediram a Jesus que tocasse nele. Jesus pegou o cego pela mão, cuspiu nos olhos dele, colocou as mãos sobre ele, e perguntou: “Estas vendo alguma coisa?” O homem levantou os olhos e disse: “Estou vendo os homens. Eles parecem árvores que andam”. Então Jesus colocou de novo as mãos sobre os olhos dele e ele passou a enxergar claramente. Ficou curado, e enxergava todas as coisas com nitidez. Jesus mandou o homem ir par casa, e lhe disse: “Não entres no povoado!”.
– Palavra da salvação.
– Glória a vós, Senhor

Olhar para Jesus:
Na primeira leitura da missa de hoje é narrado o famoso dilúvio. Desde o início do livro do Gênesis, vemos o amor de Deus por sua criatura, por nós, sendo que não havia necessidade nenhuma de criar nada, pois Deus já é pleno em si. Criou-nos num estado de inocência e santidade e colocou-nos num paraíso terrestre, no jardim do Éden. Porém não tardou para que o homem se voltasse contra Deus e pecasse. O demônio enganou Eva dizendo que se comesse do fruto da árvore do bem e do mal, seus olhos se abririam e ela seria como Deus. Tentou Eva manipulando as palavras como faz ainda hoje: vendendo um lobo em pele de cordeiro.

Eva em seguida induziu Adão a pecar e com isso Deus, como castigo, os expulsou do paraíso. A humanidade afastada de Deus foi se pervertendo cada vez mais até que Deus decide recriar toda a humanidade a partir dos justos, destruindo tudo o que fosse perverso e estivesse fora dos seus propósitos. Noé representa os justos que fizeram parte desta nova criação que surgiu depois do dilúvio. Na primeira leitura de hoje o relato é o recomeço, depois de uma sucessão de dias em que a terra, com quase tudo o que nela existia (exceto o que estava na arca), foram submersos pelas águas. Águas da purificação, que lavaria os pecados da humanidade.

Tendo passado o dilúvio, Noé desce da arca e faz uma oferenda a Deus. É um gesto de conversão e de reconhecimento do seu amor. Deus acolhe essa oferta como um pacto com esta humanidade recriada e faz uma promessa: enquanto a terra durar não haverá mais o dilúvio. É um pacto de amor que ele faz conosco. Mas, infelizmente, mesmo depois de tanta demonstração de amor, continuamos cegos a ele e às suas propostas. Deus, porém, não desiste de nós, pois não quer a nossa cegueira, mas quer que nos convertamos e vivamos. Ele, então, envia seu Filho para abrir os nossos olhos e curar as nossas cegueiras. É o que mostra o Evangelho de hoje.

Jesus, em Betsaida, recebe um cego. Ele representa um povo que está cego para as coisas de Deus. A alienação desse povo é tamanha que, para abrir os olhos deste homem, Jesus precisa retirá-lo daquele meio corrompido.

Quando vivemos numa sociedade corrompida, cega, a tendência é ser igual aos outros e, portanto, achar tudo normal ou nos acomodar. Somente quem está fora consegue enxergar essa situação de pecado. Jesus se compadece desse homem e o toma pela mão. O gesto de tomá-lo pela mão significa que Jesus é solidário com os que estão nesta condição.

Ele o toma pela mão e o leva para fora. Jesus retira as pessoas deste ambiente. Fora dessa realidade a pessoa pode ver a realidade com o olhar de Jesus. Por essa razão, Jesus coloca saliva nos seus olhos, simbolizando a purificação das águas do dilúvio. A partir de então ele começará a ver o mundo de outra forma.

Mas não é algo que irá acontecer num passe de mágica. Trata-se, na verdade, de um processo, pois toda conscientização se dá através de um processo e não de uma hora para outra. Por isso, ele vai enxergando aos poucos, por etapas. Primeiro ele vê homens que parecem árvores que andam. Ele ainda não tem clareza da realidade, mas está começando a enxergá-la, a ver pessoas a sua volta que são tratadas como objetos (árvores). Numa outra etapa, ele enxerga nitidamente. A consciência foi recobrada, ele enxerga a realidade como de fato ela é, agora com o olhar de Jesus.

Depois de voltar a enxergar, a recomendação de Jesus é: “Não entres no povoado”, isto é, não volte à situação de antes, de cegueira. Não voltes a ser enganado pelas propostas tentadoras do mundo que insistem em transformar o paraíso num inferno. Deus quer curar as nossas cegueiras. Para isso, é preciso deixar que ele, vez por outra, nos leve para fora da nossa realidade limitada e coloque nos nossos olhos as suas salivas, que nos purificam o olhar, a nossa vida.

Isto nos faz pensar na importância de fazer um retiro espiritual. A igreja nos recomenda que façamos um retiro uma vez por ano. O retiro nos permite sair da correria da vida e afastar-nos um pouco das suas necessidades básicas, deste mundo paganizado e afastado de Deus e conseguir este silêncio interior que é fundamental para conversarmos com Ele e enxergar melhor qual é o sentido último desta vida, qual é a nossa missão aqui na terra, para onde estamos indo e o que precisamos retificar. Não há nada que se possa comparar ao bem que produz um retiro espiritual para a nossa alma. Costumo dizer que é no retiro que vejo as pessoas experimentando a sua maior felicidade aqui na terra, pois é quando estão mais perto de Deus, do seu Amor e da sua poderosa Luz. Os que estiverem interessados em fazer um retiro espiritual, podem mandar um email para falar.paulo@gmail.com

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