EVANGELHO – Mt 12, 1-8
Naquele tempo, Jesus passou no meio de uma plantação num dia de sábado.
Seus discípulos tinham fome e começaram a apanhar espigas para comer.
Vendo isso, os fariseus disseram-lhe: “Olha, os teus discípulos estão fazendo, o que não é permitido fazer em dia de sábado!” Jesus respondeu-lhes: “Nunca lestes o que fez Davi, quando ele e seus companheiros sentiram fome? Como entrou na casa de Deus e todos comeram os pães da oferenda que nem a ele nem aos seus companheiros era permitido comer, mas unicamente aos sacerdotes? Ou nunca lestes na Lei, que em dia de sábado, no Templo os sacerdotes violam o sábado sem contrair culpa alguma? Ora, eu vos digo: aqui está quem é maior do que o Templo. Se tivésseis compreendido o que significa: “Quero a misericórdia e não o sacrifício”, não teríeis condenado os inocentes. De fato, o Filho do Homem é senhor do sábado”.
– Palavra da Salvação
– Glória a vós, Senhor
Olhar para Jesus: No Evangelho de hoje, os fariseus que por orgulho e inveja vão se opondo cada vez mais a Jesus, criticam os seus discípulos de apanhar espigas para comer em dia de sábado.
Sábado era para judeus o dia da semana dedicado ao culto divino. O próprio Deus o instituiu e mandou que o povo judeu se abstivesse de certos trabalhos nesse dia (Ex 20, 8-11; 21,13; Dt 5, 14), para poder dedicar-se com mais demora a honrar a Deus.
Com o passar do tempo os rabinos complicaram o preceito divino, e na época de Jesus tinham feito uma classificação de 39 espécies de trabalhos proibidos. Neste caso, acusam os discípulos de Jesus de violar o sábado, pois segundo a casuística dos escribas e fariseus, arrancar espigas equivalia a segar e esfregá-las, a debulhar e isto era considerado trabalho para eles.
Jesus Cristo rebate a acusação dos fariseus com três exemplos e uma afirmação: o exemplo de Davi, o dos sacerdotes, o sentido da misericórdia divina e a afirmação de que Ele, Jesus, é o senhor do sábado.
Nestes três exemplos Jesus vai mostrar que o preceito do descanso ou outros preceitos podem ficar sem ser cumprido diante de necessidades maiores.
No primeiro exemplo, o dos pães da proposição, é tirado do livro de Samuel no capítulo 21: Davi, fugindo da perseguição do rei Saul, pede ao sacerdote do santuário, Aquimelec, alimento para os seus homens; o sacerdote, não tendo senão os «pães da proposição», deu-lhes a comer; os pães da proposição eram doze pães que se colocavam cada semana na mesa de ouro do santuário, como homenagem perpétua das doze tribos de Israel ao Senhor (Lev 24, 5-9). Estes pães eram substituídos a cada 7 dias e os velhos eram comidos apenas pelos sacerdotes. Jesus está dizendo que mesmo que o preceito de comer estes pães se referissem apenas aos sacerdotes, em caso de necessidade, também podem ser comidos pelo povo.
O segundo exemplo refere-se ao ministério dos sacerdotes: para realizar o culto divino tinham de fazer ao sábado uma série de trabalhos (cfr Num 28, 9). Jesus está dizendo que o ministério sacerdotal está acima do preceito do descanso.
No terceiro exemplo, a frase de Jesus, “quero misericórdia e não sacrifício” tomada de Os 6, 6, conserva a expressão no estilo semítico. Uma tradução mais fiel ao sentido seria: «quero mais misericórdia do que sacrifício». Jesus está fazendo uma anologia entre o amor e a lei, onde o amor seria a misericórdia e a lei seria o sacrifício. Então Jesus está dizendo: quero mais o amor do que a lei. No caso, os discípulos não estavam indo contra o preceito do descanso ou contra o amor a Deus saciando a fome deles, sendo o alimento uma necessidade básica da vida humana.
Em último lugar, Jesus, com a afirmação de que é o senhor do sábado, está nos dizendo que Ele é senhor desta lei e de todas as leis, sendo, portanto, o próprio Deus. Está dando testemunho da sua divindade.
Resumindo, com estas palavras Jesus nos ensinando que precisamos conhecer melhor a lei, os seus mandamentos. Se não o conhecemos bem, podemos ficar apenas com a letra e perder o espírito da letra como dizia São Paulo. Por exemplo, com relação ao sábado que é o caso do Evangelho de hoje, que passou a ser o domingo depois da ressurreição de Cristo, o preceito de ir à missa pode ser isento havendo um motivo de força maior: uma doença, um trânsito inesperado, ter que cuidar de um doente que requer cuidado e não há ninguém que nos possa substituir etc.
Lição: Fazer o propósito de conhecer melhor os 10 mandamentos e isto nos fará evidenciar o amor que Deus quer que tenhamos por Ele ao invés do cumprimento estrito da lei. Em tudo isso temos que ver o que a Igreja diz e não o que nós pensamos ou interpretamos, pois só a Igreja assistida pelo Espírito Santo tem o dom da infalibilidade.