INFERNO: SUA REALIDADE (6)

EVANGELHO – Jo 5, 17-30

Naquele tempo: Jesus respondeu aos judeus: “Meu Pai trabalha sempre, portanto também eu trabalho”. Então, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque, além de violar o sábado, chamava Deus o seu Pai, fazendo-se, assim, igual a Deus.
Tomando a palavra, Jesus disse aos judeus: “Em verdade, em verdade vos digo, o Filho não pode fazer nada por si mesmo; ele faz apenas o que vê o Pai fazer. O que o Pai faz, o Filho o faz também. O Pai ama o Filho e lhe mostra tudo o que ele mesmo faz. E lhe mostrará obras maiores ainda, de modo que ficareis admirados.
Assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá a vida, o Filho também dá a vida a quem ele quer. De fato, o Pai não julga ninguém, mas ele deu ao Filho o poder de julgar, para que todos honrem o Filho, assim como honram o Pai. Quem não honra o Filho, também não honra o Pai que o enviou. Em verdade, em verdade vos digo, quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, possui a vida eterna. Não será condenado, pois já passou da morte para a vida. Em verdade, em verdade, eu vos digo: está chegando a hora, e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus e os que a ouvirem, viverão. Porque, assim como o Pai possui a vida em si mesmo, do mesmo modo concedeu ao Filho possuir a vida em si mesmo. Além disso, deu-lhe o poder de julgar, pois ele é o Filho do Homem. Não fiqueis admirados com isso, porque vai chegar a hora, em que todos os que estão nos túmulos ouvirão a voz do Filho e sairão: aqueles que fizeram o bem, ressuscitarão para a vida; e aqueles que praticaram o mal, para a condenação. Eu não posso fazer nada por mim mesmo. Eu julgo conforme o que escuto, e meu julgamento é justo, porque não procuro fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.
– Palavra da Salvação
– Glória a vós, Senhor

Olhar para Jesus:
aproximando-nos dos últimos dias da Quaresma, a Igreja nos sugere o Evangelho de São João onde Jesus manifesta de uma maneira muito clara que é o próprio Deus, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Vejam o que Jesus disse:

Então, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque, além de violar o sábado, chamava Deus o seu Pai, fazendo-se, assim, igual a Deus. Tomando a palavra, Jesus disse aos judeus: “Em verdade, em verdade vos digo, o que o Pai faz, o Filho o faz também”. Aqui Jesus mostra ter o mesmo poder que o Pai. Depois: “Quem não honra o Filho, também não honra o Pai que o enviou”. Aqui Jesus mostra que deve ser honrado da mesma forma como o Pai. Depois: “Em verdade, em verdade, eu vos digo: está chegando a hora, e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus e os que a ouvirem, viverão. Porque, assim como o Pai possui a vida em si mesmo, do mesmo modo concedeu ao Filho possuir a vida em si mesmo”. Aqui Jesus fala que assim como o Pai, a vida lhe pertence.

Que estas palavras de Jesus sejam alimento para aumentar a nossa fé na sua divindade.

Dando continuidade à nossa série sobre o Inferno, gostaria de transmitir o testemunho tocante de Santa Teresa de Ávila sobre ele. Vejamos.

TESTEMUNHO DO INFERNO DE SANTA TERESA DE D’AVILA
(Fonte deste testemunho: Livro da Vida, Santa Teresa)

Havia muito tempo que o Senhor me fazia muitas graças já referidas e outras ainda maiores, quando um dia, estando em oração, achei-me subitamente, ao que me parecia, metida corpo e alma no Inferno. Entendi que o Senhor queria fazer-me ver o lugar que os demônios haviam me preparado pelos meus pecados, caso eu não me convertesse. Durou brevíssimo tempo. Contudo ainda que vivesse muitos anos, acho impossível esquecê-lo.

A entrada pareceu-me um túnel longo e estreito, semelhante a um forno muito baixo, escuro e apertado. O chão tinha aparência de uma água, ou antes, de um lodo sujíssimo e de odor pestilencial, cheio de répteis venenosos. No fundo havia uma concavidade aberta numa parede, como um armário, onde me vi, encerrada de maneira muito apertada.

O tormento interior é tal que não há palavras para o definir, nem se entende como é realmente. Na alma senti tal fogo, que não tenho capacidade para o descrever. No corpo eram incomparáveis as dores. Tenho passado nesta vida dores gravíssimas. No dizer dos médicos são as maiores que se podem suportar, como, por exemplo, quando se encolheram todos os meus nervos, e fiquei tolhida. Já não falo de outras muitas dores de diversos gêneros e até algumas causadas pelo demônio. Posso afirmar que tudo foi nada em comparação do que ali experimentei.

O pior era saber que seria sem fim, sem jamais cessar.

Sim, repito, tudo o mais pode chamar-se nada em relação ao agonizar da alma: é um aperto, um afogamento, uma aflição tão intensos, e acompanhada de uma tristeza tão desesperante e pungente que não sei como posso explicar semelhante estado! Compará-lo à sensação de que nos estão arrancando sempre a alma, é pouco. Era como se alguém nos destruísse a vida. É como um despedaçamento da alma. O fato é que não sei como descrever aquele fogo interior e aquele desespero que se sobrepõem a tão grandes tormentos. Eu não via quem os provocava, mas sentia-me queimar e retalhar. Piores, repito, são aquele fogo e aquele desespero que me consumiam interiormente.

Em lugar tão pestilencial, sem esperar consolo, é impossível sentar-se, ou deitar-se, pois não há espaço para tal. Puseram-me numa espécie de fenda cavada na muralha. As próprias paredes, espantosas à vista, oprimem, e tudo ali sufoca. Por toda parte havia trevas escuríssimas. Não há luz. Não entendo como, sem claridade, se enxerga tudo, causando dor nos olhos. Nesta ocasião o Senhor não quis que eu visse outras coisas que há no Inferno.

Em outra visão, vi coisas horripilantes acerca do castigo relacionado com alguns vícios (…) Como não sentia a pena, não me causaram tanto temor como na primeira visão, na qual o Senhor quis que eu verdadeiramente sentisse aquelas torturas e aquela aflição de espírito como se o corpo as estivesse padecendo. Como foi isso, não sei, mas bem entendi ser grande graça do Senhor querer que eu visse, com meus olhos, de onde sua misericórdia me havia livrado.

Verdadeiramente ouvir discorrer, ou ainda meditar, sobre a diversidade dos tormentos, não nos dá uma pálida ideia de como eles são na realidade (…) Queimar-se aqui na terra é sofrimento muito leve em comparação com aquele fogo de lá.

Fiquei tão aterrorizada com tudo o que vi, e ainda o estou agora enquanto escrevo, apesar de terem decorrido quase seis anos. De tanto temor, tenho a impressão de ficar gelada. Desde então, cada vez que tenho sofrimentos ou dores ou pensando em tudo o que posso passar na terra, tudo isso me parece nada. Penso que em parte nos queixamos sem motivo. Foi esta, repito, uma das maiores graças que o Senhor me fez. Valeu-me imensamente quer para perder o medo quanto às tribulações e contradições desta vida, quer para me esforçar em padecê-las e a dar graças ao Senhor, por me ter livrado de males tão perpétuos e terríveis.

Lição: que esta visão do Inferno de Santa Teresa de Ávila nos reforce o desejo de nunca parar neste lugar e a perdermos o medo das tribulações e sofrimentos que padecemos aqui na terra.

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